terça-feira, 8 de novembro de 2005

 

Teste promete detectar ética na empresa
Jornal do Commercio

 

 

Com 120 perguntas, software pretende identificar comportamentos anti-éticos de executivos

Em tempos de questionamento da ética nos meios políticos, chega ao Brasil uma ferramenta on-line que promete identificar e prever comportamentos fraudulentos nas corporações. Baseada no know-how israelense, o teste Midot propõe medir o nível de ética no ambiente de trabalho, prevenir atos ilícitos como fraude, corrupção e troca de favores e ajudar na seleção dos melhores candidatos.

Para consultores de Recursos Humanos (RH), no recrutamento, o teste pode ser usado como forma de complementar e ajudar na identificação de características dos entrevistados, mas não deve ser tomado como conclusivo. Empresas como Philip Morris, Teva Indústria Farmacêutica, rede de hotéis Sheraton e Nestlé já utilizaram o sistema, trazido pela consultoria Prosets Brasil.

Ilan Raanan, que atuou durante 27 anos no Serviço Secreto Israelense e hoje aplica ao mundo corporativo os princípios de inteligência adquiridos ao longo de sua carreira, explica que a base para o teste é a psicologia cognitiva e os princípios da poligrafia. Em 17 minutos, o profissional responde a 120 perguntas diretas sobre si, as outras pessoas e sobre estudos de situação. A margem de erro do sistema é de 0,002%.

"Não existem respostas certas ou erradas. O computador mede a combinação das respostas, em conjunto com sete outros fatores secretos, com a finalidade de chegar a uma conclusão sobre as respostas dadas. Desta forma, o teste trabalha com estatísticas e outras informações objetivas", explica Raanan.

Valores da empresa

Mario Ernesto Humberg, presidente da CL-A Comunicações, especialista em ética empresarial, defende que antes de aplicar testes como o Midot, é preciso definir e colocar em práticas os valores da empresa. "Não adianta querer que o funcionário seja honesto se a empresa não é. Se a empresa não tem valores bem definidos, pode fazer o teste que quiser, pois não vai surtir efeito".

Segundo o psicólogo Shaul Abir, especialista em assuntos relacionados a más intenções, não há como enganar o software marcando itens "politicamente corretos", pois o sistema busca incoerência nas respostas. Ilan Raanan lembra que, no Brasil, os funcionários têm tendência de responder o teste da maneira em que a empresa gostaria de ouvir. "Além disso, existe, de um modo geral, uma tendência mais forte à quebra de normas e problemas no sentido de consciência de procedimentos de controle", diz Raanan.

"Existem perguntas diretas como "você já saiu de alguma loja sem pagar, no passado?"; perguntas sobre os outros como "você acredita que a maioria das pessoas agiria de forma não ética se a lei não as punisse?" E estudos de caso como "um funcionário que pega dinheiro emprestado todo o dia 15, mas o devolve todo o dia 30 foi demitido por justa causa quando seu chefe descobriu. Você acha que o chefe estava certo?" Desta forma, o software compara os tipos de respostas, buscando contradições, que podem revelar comportamentos negativos", afirma Raanan.

Os especialistas acreditam que os funcionários não se recusarão a fazer o teste, já que eles são preparados anteriormente com uma dinâmica de grupo. "Com relação a um executivo, não vemos problema nenhum em aplicar o teste, uma vez que trata-se de um questionário on-line, que a pessoa responde em 17 minutos e não apresenta nenhuma forma de constrangimento", Raanan.

O consultor Mário Ernesto Humberg lembra que, se a empresa decida aplicar o teste, é impossível excluir os executivos, pois os principais casos de fraude estão em níveis mais altos da empresa, como supervisão, gerência e diretoria. Humberg diz ainda que será preciso fazer um trabalho de consultoria bem intenso para não provocar um clima de desconfiança na empresa.

O custo unitário para aquisição avulsa do software é de R$120. "Se levarmos em consideração o fato de que as empresas perdem 6% do faturamento por fraudes e que 70% delas é causada por colaboradores internos, é um investimento relativamente baixo para proteger o patrimônio das empresas", afirma Shaul Abir. O teste está disponível no site www.midotsystem.com, mas, para ter acesso a ele, é necessário adquirir uma licença de uso na Prosets Brasil (www.testedeintegridade.com.br)

http://www.crc.org.br/clipping/detalhada.asp?id=5045