BOA CHANCE

 

Rio, 18 de dezembro de 2005

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Uma ferramenta aplicável a todos os cargos

Benny Zolondez, da Icat Global, que faz testes com polígrafo e online, explica que existem modelos para todos os níveis de profissionais de uma empresa, apesar de o alto escalão ser o principal público das firmas especializadas.

— O copeiro pode ser testado. Há quem pense: “mas ele serve café”. Mas é preciso lembrar que este funcionário entra em todas as salas, tem acesso a todos os documentos — destaca Zolondez.

As firmas especializadas em investigação e prevenção de perdas destacam não só a corrupção no governo, mas o alto índice de fraude nas empresas brasileiras como fator de aumento na procura pelos testes de integridade. Pesquisa feita pela KPMG Brasil nas mil maiores empresas do país mostrou que 69% delas já sofreram algum tipo de fraude. E 58% dos empresários acreditam que seus próprios funcionários são a maior fonte de ameaça.

— Por isso, cerca de 51% das empresas já adotam procedimentos de verificação de antecedentes para novos funcionários de alto escalão — destaca Werner Scharrer, sócio da área de Identificação e Prevenção de Fraudes da consultoria.

Para consultor de RH, valores são mutáveis

Os especialistas em recursos humanos vêem a prática com reservas. Jorge Matos, diretor da HCLA Human Learning, diz que não acredita ser possível antecipar se um indivíduo vai roubar ou fraudar a empresa:

— Os valores de uma pessoa podem mudar. Há pessoas com um histórico de retidão e que, um dia, por um motivo que pode ser considerado justificável ou não, praticam um ato ilícito. Acho mais válida a checagem de antecedentes criminais e a órgãos de proteção ao crédito. Pois você trabalha com fatos reais.

Na entrevista, são abordados temas como corrupção, roubo, suborno, clientelismo e obediência a normas. As consultorias garantem que a margem de erro é baixa. Ilan Raanan, sócio-diretor da Prosets, diz que mesmo que o entrevistado seja perspicaz, não é possível manipular o resultado:

— É um algoritmo muito sofisticado, que analisa não só as respostas diretamente dadas pela pessoa que está sendo examinada, mas também oito fatores secretos.

Entre esses fatores estão uma combinação do tempo que as perguntas levam para ser respondidas. Por exemplo: se o profissional responde a maioria das questões em cerca de dois segundos (as respostas são somente “sim”, “não” ou “não sei”), mas nas questões relativas a suborno leva 15 segundos, a máquina entende que a ética em relação a esse assunto é questionável.

No polígrafo, diz Zolondez, da Icat Global, mesmo que a pessoa seja muito controlada ou muito estressada, o índice de acertos é de 97%. Ele explica que o profissional que aplica o teste inicia uma conversa com o aparelho desligado a fim de estabelecer uma conexão com o entrevistado e ganhar alguma informação preliminar que será mais tarde usada para controlar as questões.

— Não é uma investigação policialesca — destaca.

No fim, o candidato à vaga pode ser considerado “recomendado”, “não recomendado” ou o teste pode apontar um caráter duvidoso.