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Teste diz apontar pessoas com tendência a
roubar ou a drogar-se
DA REPORTAGEM LOCAL
O trabalhador já não pode mais mentir. Nem sequer dar aquela
"floreada" no currículo, aumentando o conhecimento de inglês ou
ocultando as causas da última demissão. Os que se atreverem podem tornar-se
vítimas de detectores de mentira, que crescem no mercado e começam a atrair
a atenção de empresas de seleção.
Com anos de experiência no uso de polígrafo para
investigar transgressões, o ex-agente do serviço secreto israelense Ilan
Raanan hoje é sócio da ProsetsBrasil,
consultoria de estratégia de segurança. A empresa acaba de trazer ao país
um teste que diz apontar, entre outras conclusões, se o candidato tem
tendência a trabalhar drogado ou se representa uma ameaça às finanças da
empresa.
"Detectamos as pessoas que adquiriram
comportamentos ilegais ou antiéticos no decorrer da experiência",
afirma Raanan, que confirma a aplicação do equipamento por empresas
brasileiras aos seus colaboradores.
O teste, preenchido no computador em 17 minutos, visa a ter poder para
desbancar o candidato. Nas respostas, o software busca contradições que
possam revelar comportamentos negativos.
Em todo o mundo, inclusive no Brasil, diz Raanan, 12% dos funcionários têm
tendência moderada a cometer infrações; 16% apresentam alta tendência a
crimes; e outros 70% apresentam tendência baixíssima a transgressões.
Giovanna Oliveira Godoy, 28, consultora comercial da Curriculum.com.br, passou pelo teste há quatro meses, quando foi
contratada, e diz que "quem não deve não teme". O teste foi a última etapa da avaliação. "O objetivo é colocar
você em xeque: perguntam uma questão várias vezes e de formas distintas. O
teste sabe quanto tempo você demora para responder a cada pergunta, ele
sabe quando você titubeia", opina.
O perito em
veracidade Mauro Nadvorny
lançará no início de 2006 uma ferramenta -também com tecnologia israelense-
que promete identificar, por meio da fala, a verossimilhança de cada
resposta dada. Segundo ele, quando uma pessoa mente, há alterações na
freqüência da voz que são percebidas pelo sistema.
"Em geral, o candidato aumenta um pouco [suas
habilidades], achando que vai dar conta do recado. Mas a máquina consegue
mostrar tudo o que se passa na mente dele. Dessa forma, a empresa
certifica-se das habilidades do empregado", explica Nadvorny, presidente da Truster.
"Qualquer informação investigada deve estar ligada ao peso que terá no
desempenho da função", adverte Lizete
Araújo, da ABRH.
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